PASCOAL GONÇALVES DE
CARVALHO
QUINTO GOVERNANTE
DO GOVERNO DO SENADO DA CÂMARA, NA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE, 30 DE AGOSTO DE 1685 A JUNHO DE 1688
PROCEDIDO POR - MANUEL
DINIZ (25/05/1682 – 30/08/1685)
SUCEDIDO POR AGOSTINHO CESAR DE
ANDRADE ( 06/1688 – 22/08/1692 )
PASCOAL GONÇALVES DE CARVALHO,
Foi nomeado Capitão-mor da
Capitania do Rio Grande por Patente Real de 11 de outubro de 1684. Soldado
desde fevereiro de 1637, fora reformado no posto de Capitão de Infantaria mas,
reconvocado, achava-se no de Capitão de Artilharia da Praça do Recife. As
formalidades de homenagem e juramento pela Capitania, segundo a liturgia de
posse do cargo, foram cumpridas em Pernambuco. Carta de EI-Rei ao Senado da
Câmara comunicava havê-lo dispensado de deslocar-se à Bahia; considerando por
um lado, ser ele muito pobre e dispendiosa a viagem; por outro, o fato de ter
perdido uma perna na primeira Batalha de Guararapes, partida na altura da coxa
direita. Assumiu a administração a 30 de agosto de 1685 mas seu primeiro ato
oficial, localizado por VICENTE DE LEMOS, foi a designação, em 10 de novembro
daquele ano, de Pedro Souto para o posto de Capitão de Infantaria das
Ordenanças da ribeira do Ceará-Mirim. A 12 de abril do ano seguinte nomeou
Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque, Coronel de Cavalaria, objetivando socorrer
os colonos, portugueses e mestiços, que sofriam seguidos assaltos de hordas
selvagens, arrasando plantações e dizimando o gado. Parecia a Gonçalves de
Carvalho um movimento localizado e pontual, tanto que sequer informou ao
Governador-Geral, na persuasão, talvez, de poder reprimi-lo com a pouca força
de que dispunha. Assim, porém, não aconteceu, e os gentios sublevaram-se em
poderosas massas, por todas as ribeiras (VICENTE DE LEMOS, 1912, p. 39).
Janduís, Areas, Pegas, Paiacus, Caicós e Canindés se insurgiram, sertão afora,
enquanto as tribos que ocupavam as terras banhadas pelos rios Apodi, Upanema, Seridó,
Espinharas e os alto e baixo Piranhas, atacaram, se apoderaram e colocaram tudo
em desordem, com crueldade, nas ribeiras do Ceará-Mirim e do Apodi e no sertão
do Açu (Geocities. In: Início do povoamento). Este quadro é descrito por
TAVARES DE LIRA com algumas alterações, senão vejamos: Quando se deu a grande
sublevação, os potiguares se encontravam nas várzeas próximas ao litoral e as
demais tribos dominavam, entre outras, as terras banhadas pelo Apodi, Upanema,
Espinharas, Seridó e alto e baixo Piranhas. Grande número de potiguares,
provavelmente os que tinham servido no exército libertador ou deles descendiam,
secundou os esforços das autoridades para jugular a rebelião. Os tapuias,
porém, a ela aderiram em quase sua totalidade, desde o primeiro momento. Só
muito depois e ao se tornar impossível a resistência foi que começaram as
defecções. Complementa, em seguida: Entre os que figuraram em maior evidência
nos acontecimentos estiveram os janduís e os caracarás (...); os areas e pegas,
que habitavam as ribeiras do Espinharas, Sabugi e alto Piranhas; os paiacus, da
Serra do Cuité, Picuí e ribeira do Apodi, e os canindés, cuja zona de domínio
se não pode precisar. Irineu Jofilly fala, sem grande segurança, dos caicós, na
fronteira da Paraíba (1982, p. 109). Os mais intensos e ferozes combates, no
entanto, deram-se na região do Açu: Foi na ribeira do Açu o ponto culminante da
rebelião, diz VICENTE DE LEMOS (op. cit., p. 39). A propósito, correspondência
do Senado da Câmara de Natal ao Capitão-general de Pernambuco, João da Cunha
Souto Maior, citada por VICENTE DE LEMOS (op. cit., pp. 39-40), é taxativa a
respeito: Vimos pedir com toda a brevidade socorro pelo risco em que nos
achamos diante da rebelião dos índios tapuios, que no sertão do Açu já têm
morto perto de cem pessoas, escalando (devastando, saqueando) os moradores,
destruindo os gados, de modo que já não são eles senhores daquelas paragens. O
Capitão-mor, a seu turno, reconhecendo não dispor de forças suficientes e ante
a lentidão na ajuda externa, tomou duas medidas literalmente extremas: a 18 de
janeiro de 1688 lançou um bando (edital) ameaçando (grifo nosso) os colonos que
tentassem fugir (muitos estavam apavorados) de trancafiá-los no “quarto escuro”
da fortaleza, e pouco mais de um mês depois, em 24 de fevereiro, um outro,
desta feita radicalmente oposto, qual seja, declarando, em nome de Sua
Majestade, que seriam perdoados de seus crimes todos os que se dispusessem
pegar em armas e acudir ao “real serviço”, fazendo guerra aos revoltosos. Pascoal
Gonçalves, contudo, já bastante idoso, alquebrado e sem uma perna, afora o fato
de achar-se sem recursos materiais para opor-se aos nativos revoltosos,
tornou-se gradativamente apático. Não demorou vir, em caráter interino, seu
sucessor – Agostinho César de Andrade. Segundo CÂMARA CASCUDO (1989, p. 182),
anos mais tarde, em 1º de março de 1695, este diria, retratando fielmente o
ambiente de então em carta ao Senado da Câmara de Natal: Quando cheguei a esta
Capitania achei o Capitão-mor dela, a quem sucedi, metido na fortaleza sem ter
voz altiva para nenhuma disposição; achei os moradores recolhidos em
casas-forte e o gentio sem oposição, destruindo tudo. Não se sabe a data exata
mas, em junho de 1688, o grande guerreiro de outrora, Pascoal Gonçalves de Carvalho,
deixou Natal.
FONTE – FUNDAÇÃO JOSÉ
AUGUSTO