FATOS POLICIAIS

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

PASCOAL GONÇALVES DE CARVALHO

 


PASCOAL GONÇALVES DE CARVALHO

QUINTO   GOVERNANTE DO GOVERNO DO SENADO DA CÂMARA, NA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE,  30 DE AGOSTO DE 1685 A JUNHO DE 1688

PROCEDIDO POR -  MANUEL DINIZ  (25/05/1682 – 30/08/1685)

SUCEDIDO POR  AGOSTINHO CESAR DE ANDRADE ( 06/1688 – 22/08/1692 )

PASCOAL GONÇALVES DE CARVALHO, Foi nomeado Capitão-mor da Capitania do Rio Grande por Patente Real de 11 de outubro de 1684. Soldado desde fevereiro de 1637, fora reformado no posto de Capitão de Infantaria mas, reconvocado, achava-se no de Capitão de Artilharia da Praça do Recife. As formalidades de homenagem e juramento pela Capitania, segundo a liturgia de posse do cargo, foram cumpridas em Pernambuco. Carta de EI-Rei ao Senado da Câmara comunicava havê-lo dispensado de deslocar-se à Bahia; considerando por um lado, ser ele muito pobre e dispendiosa a viagem; por outro, o fato de ter perdido uma perna na primeira Batalha de Guararapes, partida na altura da coxa direita. Assumiu a administração a 30 de agosto de 1685 mas seu primeiro ato oficial, localizado por VICENTE DE LEMOS, foi a designação, em 10 de novembro daquele ano, de Pedro Souto para o posto de Capitão de Infantaria das Ordenanças da ribeira do Ceará-Mirim. A 12 de abril do ano seguinte nomeou Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque, Coronel de Cavalaria, objetivando socorrer os colonos, portugueses e mestiços, que sofriam seguidos assaltos de hordas selvagens, arrasando plantações e dizimando o gado. Parecia a Gonçalves de Carvalho um movimento localizado e pontual, tanto que sequer informou ao Governador-Geral, na persuasão, talvez, de poder reprimi-lo com a pouca força de que dispunha. Assim, porém, não aconteceu, e os gentios sublevaram-se em poderosas massas, por todas as ribeiras (VICENTE DE LEMOS, 1912, p. 39). Janduís, Areas, Pegas, Paiacus, Caicós e Canindés se insurgiram, sertão afora, enquanto as tribos que ocupavam as terras banhadas pelos rios Apodi, Upanema, Seridó, Espinharas e os alto e baixo Piranhas, atacaram, se apoderaram e colocaram tudo em desordem, com crueldade, nas ribeiras do Ceará-Mirim e do Apodi e no sertão do Açu (Geocities. In: Início do povoamento). Este quadro é descrito por TAVARES DE LIRA com algumas alterações, senão vejamos: Quando se deu a grande sublevação, os potiguares se encontravam nas várzeas próximas ao litoral e as demais tribos dominavam, entre outras, as terras banhadas pelo Apodi, Upanema, Espinharas, Seridó e alto e baixo Piranhas. Grande número de potiguares, provavelmente os que tinham servido no exército libertador ou deles descendiam, secundou os esforços das autoridades para jugular a rebelião. Os tapuias, porém, a ela aderiram em quase sua totalidade, desde o primeiro momento. Só muito depois e ao se tornar impossível a resistência foi que começaram as defecções. Complementa, em seguida: Entre os que figuraram em maior evidência nos acontecimentos estiveram os janduís e os caracarás (...); os areas e pegas, que habitavam as ribeiras do Espinharas, Sabugi e alto Piranhas; os paiacus, da Serra do Cuité, Picuí e ribeira do Apodi, e os canindés, cuja zona de domínio se não pode precisar. Irineu Jofilly fala, sem grande segurança, dos caicós, na fronteira da Paraíba (1982, p. 109). Os mais intensos e ferozes combates, no entanto, deram-se na região do Açu: Foi na ribeira do Açu o ponto culminante da rebelião, diz VICENTE DE LEMOS (op. cit., p. 39). A propósito, correspondência do Senado da Câmara de Natal ao Capitão-general de Pernambuco, João da Cunha Souto Maior, citada por VICENTE DE LEMOS (op. cit., pp. 39-40), é taxativa a respeito: Vimos pedir com toda a brevidade socorro pelo risco em que nos achamos diante da rebelião dos índios tapuios, que no sertão do Açu já têm morto perto de cem pessoas, escalando (devastando, saqueando) os moradores, destruindo os gados, de modo que já não são eles senhores daquelas paragens. O Capitão-mor, a seu turno, reconhecendo não dispor de forças suficientes e ante a lentidão na ajuda externa, tomou duas medidas literalmente extremas: a 18 de janeiro de 1688 lançou um bando (edital) ameaçando (grifo nosso) os colonos que tentassem fugir (muitos estavam apavorados) de trancafiá-los no “quarto escuro” da fortaleza, e pouco mais de um mês depois, em 24 de fevereiro, um outro, desta feita radicalmente oposto, qual seja, declarando, em nome de Sua Majestade, que seriam perdoados de seus crimes todos os que se dispusessem pegar em armas e acudir ao “real serviço”, fazendo guerra aos revoltosos. Pascoal Gonçalves, contudo, já bastante idoso, alquebrado e sem uma perna, afora o fato de achar-se sem recursos materiais para opor-se aos nativos revoltosos, tornou-se gradativamente apático. Não demorou vir, em caráter interino, seu sucessor – Agostinho César de Andrade. Segundo CÂMARA CASCUDO (1989, p. 182), anos mais tarde, em 1º de março de 1695, este diria, retratando fielmente o ambiente de então em carta ao Senado da Câmara de Natal: Quando cheguei a esta Capitania achei o Capitão-mor dela, a quem sucedi, metido na fortaleza sem ter voz altiva para nenhuma disposição; achei os moradores recolhidos em casas-forte e o gentio sem oposição, destruindo tudo. Não se sabe a data exata mas, em junho de 1688, o grande guerreiro de outrora, Pascoal Gonçalves de Carvalho, deixou Natal.

FONTE – FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

PASCOAL GONÇALVES DE CARVALHO

  PASCOAL GONÇALVES DE CARVALHO QUINTO     GOVERNANTE DO GOVERNO DO SENADO DA CÂMARA, NA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE,   30 DE AGOSTO ...